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Redes sociais crescem, assim como risco da exposição

Profissionais do Direito e de Recursos Humanos alertam sobre as consequências do que se publica nos sites de relacionamento


 As redes sociais estão cada vez mais na rotina e no dia a dia das pessoas, pelos mais diversos motivos: diversão, passatempo, contatos com amigos, profissionalmente ou comercialmente. Dados da ComScore, empresa de medição de estatística na internet, apontam que somente o Facebook passou de 9 milhões de visitantes em agosto de 2010 para 28,6 milhões em agosto deste ano.

A média mensal de permanência do internauta no site subiu de 29 minutos para duas horas e 24 minutos. Segundo números da empresa eMarketer, diariamente os usuários publicam nas redes sociais 250 milhões de fotos, comentam ou curtem 2 bilhões de posts e interagem com 900 milhões de páginas individuais, eventos e comunidades. Essas e outras estatísticas foram tema da principal reportagem da edição 2.237 da Revista Veja, que circulou em 5 de outubro.

A exposição das pessoas nas redes sociais não pára de crescer, mas quais são os limites, os riscos e as implicações jurídicas sobre o que se publica nos sites de relacionamento? Na área profissional, por exemplo, empresas se mantêm conectadas para descobrir talentos e também observar o comportamento de pretendentes a empregos.

Para orientar jovens e demais internautas, um professor do curso de Direito da UniFil e uma profissional de recursos humanos de uma conceituada empresa de Londrina dão algumas dicas sobre o uso das redes sociais.

 

Postagens ofensivas podem motivar processos judiciais

O professor Anderson de Azevedo, do curso de Direito da UniFil, faz um alerta sobre conteúdo ofensivo das postagens nas redes sociais, que podem ser motivo de ações na Justiça. Além disso, revela que as redes também são pesquisadas por advogados, Ministério Público e Judiciário, para buscar informações sobre o paradeiro e relacionamento de pessoas envolvidas em demandas judiciais.

- Existe legislação sobre postagens em redes sociais?

Não. Utiliza-se o Código Civil e o Código de Defesa do Consumidor. Dependendo do assunto, a própria Constituição Federal.

- Uma pessoa pode ser acionada judicialmente por postagens ofensivas em redes sociais?

Sim, uma vez comprovada a origem e a autoria da ofensa pode-se promover medidas judiciais na esfera cível (retirada das ofensas da rede e indenização por danos morais), bem como na esfera penal, dependendo da caracterização do ilícito.

- Quais os cuidados que as pessoas devem ter em suas participações em redes?

Evitar comentários, fotos ou vídeos, sobre pessoas ou atitudes de alguém, que sejam ofensivos à honra, à imagem, ao nome do sujeito.

- Advogados, Ministério Público, tribunais têm buscado informações nas redes, como instrumento / prova em processos - tanto na defesa como na acusação?

Sim, inclusive para comprovar vínculos de amizade, subordinação ou até mesmo para obter informações sobre o paradeiro e os relacionamentos que as pessoas têm com outras, com o objetivo de fundamentar pedidos em processos judiciais.

 

Perfil do profissional também é mapeado pelas empresas

A psicóloga Maria Ester Falaschi atua há 15 anos com desenvolvimento de indivíduos e grupos e com gestão estratégica de pessoas. Ela é coordenadora de Recursos Humanos da empresa londrinense Ângelus - Ciências e Tecnologia, que desenvolve e exporta para mais de 50 países produtos odontológicos e já recebeu vários prêmios por práticas inovadoras.

Maria Ester Falaschi também é Coordenadora da Comissão de Psicologia Organizacional e do Trabalho do Conselho Regional de Psicologia de Londrina e integrante do Grupo de Profissionais de Recursos Humanos de Londrina (GPRH). A pedido da UniFil, ela explica como as empresas vêm utilizando as redes sociais na seleção de candidatos a empregos.

A pesquisa às redes sociais já é utilizada como ferramenta para conhecer perfil de candidatos a empregos?

O acesso aos candidatos nas redes sociais vem sendo cada vez mais utilizado para complementar o mapeamento do perfil do profissional. Atualmente, há inclusive redes sociais exclusivas para relacionamento profissional, como o Linkedin, por exemplo. Neste tipo de rede, são feitos contatos, divulgação de vagas e buscas de candidatos, entre outras parcerias.

Quais as informações que os profissionais de recursos humanos buscam nas redes sociais no momento da seleção de candidatos?

São muitas as informações levantadas, como hábitos, hobbies, preferências, network, habilidade de relacionamento, comportamento ético e até a redação.

O direito de expressão e de opinião é livre nas redes sociais, mas quais os cuidados que as pessoas devem ter para não sofrerem prejuízos futuros com o que postam?

As pessoas, especialmente os jovens, postam muitas coisas para impressionar amigos e paqueras. Porém, devem se lembrar que o mundo inteiro pode acessar suas informações, ou seja, atuais e futuros empregadores, familiares, etc... Portanto, é importante ter o cuidado de expor apenas o que não é de foro íntimo, ou comprometedor. No mundo virtual, como no mundo real, é necessário preservar a própria privacidade. Hoje em dia, as redes oferecem acesso restrito para publicações. Este é um bom caminho para usar a rede com liberdade e sem exposição do que deveria ser privativo.

 

Quais os riscos da superexposição?

O risco é, basicamente, que o recrutador, ou mesmo seu empregador atual, faça um pré-julgamento a seu respeito. É comum, no twitter, por exemplo, as pessoas criticarem seus chefes, colegas, ou tarefas a fazer. Mais que um simples desabafo, isto pode ser entendido como falta de ética, baixa resiliência, desinteresse ou inabilidade para lidar com problemas. Infelizmente, o fato é que, quanto mais impactante for a informação, mais ela deve levar a um julgamento precipitado. Não se deve, porém, construir perfis "rígidos", para impressionar os recrutadores. Estes, igualmente, darão uma impressão errada do candidato, e poderão conduzi-lo a uma contratação não condizente com suas reais aspirações.O melhor caminho é cada pessoa ser verdadeira em seus perfis de rede e mostrar apenas aquilo que não a desconfortaria no mundo concreto. O usuário deve se lembrar que o mundo virtual, hoje, mais do que nunca, faz parte do mundo real. Não é um "universo paralelo".

Na avaliação do RH, o que pode ser considerado o uso correto das redes sociais no momento da seleção de candidatos?

O profissional deve usar a consulta às redes com muita cautela, justamente porque os perfis são muito mais o que o indivíduo quer expor de si mesmo, do que o que ele é, em sua totalidade. Algumas pessoas, por exemplo, usam a rede apenas para tratar de música, futebol, balada, política. Isto não significa que não sejam competentes em outros assuntos e não se interessem por outras coisas também. O ideal é que o profissional de RH utilize o acesso à rede apenas como uma de várias ferramentas para conhecer melhor o candidato e que as informações levantadas sejam aprofundadas em entrevista.


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