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Pesquisa sobre culinária dos imigrantes italianos é destaque em congresso

Estudantes e professores de Gastronomia da UniFil apresentam trabalho no Mesa Tendências 2011, principal evento da área no Brasil


 A presença dos italianos na colonização de Londrina, seus costumes e modo de vida, a maneira como se alimentavam, as comidas que preparavam, os ingredientes que usavam e a contribuição que deixaram ao patrimônio cultural londrinense. Dessa pesquisa histórica, foram resgatadas receitas da culinária praticada pelos imigrantes da Itália no início da formação da cidade.

Um dos pratos comuns era o bacalhau com polenta, que ganhou destaque no trabalho "Patrimônio Cultural Londrinense e a Contribuição Italiana Através da Gastronomia", desenvolvido por alunos de Gastronomia da UniFil. Essa combinação de cultura e comida será apresentada no Mesa Tendências 2011 - Congresso Internacional de Gastronomia de São Paulo, considerado o principal evento da área no País. Neste ano, o enfoque é "Itália-Brasil: a caminho de uma cozinha consciente".

Coordenados pelos professores doutores Mirian Maretti e Leandro Henrirque Magalhães, quatro estudantes de Gastronomia levantaram informações sobre os italianos que chegaram a Londrina na década de 1930, como se estabeleceram e costumes que trouxeram. "Poucos sabem que os italianos formavam o maior grupo de imigrantes na colonização londrinenses. Eram cerca de 1.600 famílias cadastradas pela Companhia de Terras Norte do Paraná", relata o professor Leandro Magalhães, doutor em História, coordenador do projeto selecionado para o congresso e também do curso de pós-graduação em Patrimônio Cultural da UniFil.

Ele conta que os hábitos alimentares eram bem simples. "Os italianos viviam em propriedades rurais e preparavam comida com aquilo que produziam. Eles consumiam carnes de porco e frango, que criavam. Do fubá de milho faziam a polenta. Comiam também pão com linguiça, doces caseiros e palmito, que tinha muito na região", exemplifica. O bacalhau, segundo o professor, também integrava a alimentação porque já consumiam na Itália e por ser um produto fácil de conservar. "Quando iam aos secos e molhados da época, compravam bacalhau e guardavam. Daí passaram a prepará-lo num ensopado, como complemento da polenta", revela Magalhães.

A professora Miriam Cristina Maretti, doutora em Ciências de Alimentos, informa que também está sendo pesquisada a culinária de outros grupos que participaram da colonização de Londrina, como japoneses e árabes. "A intenção é transformar o trabalho num livro, resgatando a história, preservando o patrimônio e publicando receitas gastronômicas dessas etnias", diz.

O trabalho sobre os italianos será apresentado no Mesa Tendência 2011 pela professora Miriam Maretti, no módulo "Herança e História: sociedade e imigração". Os alunos de Gastronomia da UniFil que desenvolveram a pesquisa são Gilberto Hildebrando, Evelin Nunomura, Sonia Dantas e Isadora Rossi. O Mesa Tendência reunirá de 25 a 27 de outubro estudantes, docentes, chefs e profissionais brasileiros e estrangeiros, alguns deles representando a vanguarda da cozinha mundial.

 

A história a partir da comida

 O projeto de pesquisa "Patrimônio Cultural Londrinense e a Contribuição Italiana Através da Gastronomia" foi desenvolvido dentro da disciplina História da Gastronomia e Antropologia da Alimentação, ministrada no curso de Gastronomia pelo professor Leandro Henrique Magalhães. Aluno do 1º ano e já formado em História, Gilberto Hildebrando diz que se envolveu no trabalho porque reunia suas duas áreas de estudos.

"Fomos atrás de resgatar a história, focados na gastronomia", afirma Hildebrando, que trabalhou quatro anos no Museu Histórico de Londrina e utilizou sua experiência e formação acadêmica para selecionar materiais e levantar das informações. "Baseados em documentos e entrevistas de imigrantes italianos, sobre o modo de vida na época da colonização, chegamos aos hábitos alimentares e o que comiam, quais pratos preparavam", explica.

De acordo com relatos, os imigrantes precisavam ir a cavalo até Sertanópolis, onde compravam alimentos secos. "Traziam sal, açúcar, cana, farinha, arroz, feijão, carne seca e também o bacalhau. Na pesquisa, descobrimos que os italianos faziam essa combinação do bacalhau com a polenta. Desenvolvemos a receita, que é apenas uma das várias que resgatamos", conta.

Hildebrando e as colegas Evelin, Sonia e Isadora agora aguardam o resultado da apresentação, com sabor de vitória. "É muito gratificante ter o primeiro trabalho de pesquisa já publicado num congresso internacional. Isso estimula bastante, além de fortalecer o curso de Gastronomia", destacam os estudantes.


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